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JEJUM É PRATICADO NO NOVO TESTAMENTO?


JEJUM É PRATICADO NO NOVO TESTAMENTO?
O que é Jejum?
É  a abstinência de toda alimentação por um período limitado. Jejuns corretamente motivados visavam mostrar tristeza e arrependimento piedosos para com pecados anteriores. (1Sa 7:6; Jl 2:12-15; Jon 3:5) Eram também apropriados diante de grande perigo, quando em premente necessidade de orientação divina, ao suportar testes e enfrentar tentações, ou ao estudar, ao meditar ou ao concentrar-se nos propósitos divinos. (2Cr 20:3; Esd 8:21; Est 4:3, 16; Mt 4:1, 2)
O jejum não era uma forma de punição imposta a si mesmo, mas significava humilhar-se diante de Jeová. (Esd 8:21; 9:5; compare isso com 1Rs 21:27-29.)
Jesus jejuou 40 dias, como fizeram Moisés e Elias, os quais apareceram em forma de visão com Jesus na transfiguração dele. — Mt 17:1-9; Êx 34:28; De 9:9; 1Rs 19:7, 8.
A Lei mosaica não emprega o termo “jejum”, mas, em relação com o Dia da Expiação, ela ordena: “Deveis atribular as vossas almas.” (Le 16:29-31; 23:27; Núm 29:7)
Entende-se geralmente que isto significa jejuar, e este conceito é apoiado por Isaías 58:3, 5 e Salmo 35:13.

Quatro Jejuns Anuais dos Judeus.
Os judeus estabeleceram muitos jejuns, e, em certa época, tinham quatro jejuns anuais, evidentemente para assinalar os eventos calamitosos associados com o sítio e a desolação de Jerusalém no sétimo século AEC. (Za 8:19)
Os quatro jejuns anuais eram:
(1) “O jejum do quarto mês” comemorava, pelo que parece, a brecha nos muros de Jerusalém aberta pelos babilônios, em 9 de tamuz de 607 AEC. (2Rs 25:2-4; Je 52:5-7)
(2) Foi no quinto mês judaico, ab, que o templo foi destruído, e, evidentemente, “o jejum do quinto mês” era celebrado como lembrete deste evento. (2Rs 25:8, 9; Je 52:12, 13)
(3) “O jejum do sétimo mês”, pelo que parece, era celebrado como triste recordação da morte de Gedalias, ou da completa desolação da terra, que se seguiu ao assassínio de Gedalias, quando os judeus remanescentes, com medo dos babilônios, desceram ao Egito. (2Rs 25:22-26)
(4) “O jejum do décimo mês” pode ter estado ligado aos judeus exilados já em Babilônia, ao receberem a triste notícia de que Jerusalém tinha caído (veja Ez 33:21), ou pode ter comemorado o início do sítio bem-sucedido contra Jerusalém, por Nabucodonosor, no décimo dia daquele mês, em 609 AEC. — 2Rs 25:1; Je 39:1; 52:4.

Quando certos judeus perguntaram por meio de Zacarias: “Chorarei no quinto mês, observando abstinência, assim como fiz, oh! por tantos anos?” Jeová respondeu: “Quando jejuastes . . . por setenta anos, jejuastes realmente para mim, sim, para mim?” Deus mostrou que o verdadeiro jejum para ele teria sido acompanhado pela obediência, e que aquilo que ele requeria era veracidade, julgamento, paz e um coração sincero.
Assim, em vez de um lamentoso jejum e de olharem para trás, para o passado, eles poderiam exultar e alegrar-se nas épocas festivas com as bênçãos do restabelecimento da adoração verdadeira e o ajuntamento de outros ao serviço de Jeová. — Za 7:3-7; 8:16, 19, 23.

Conselho Cristão Sobre o Jejum.
Quando Jesus estava na terra, deu a seguinte instrução aos seus discípulos: “Quando jejuardes, parai de ficar com o rosto triste, como os hipócritas, pois desfiguram os seus rostos para que pareça aos homens que estão jejuando. Deveras, eu vos digo: Eles já têm plenamente a sua recompensa. Mas tu, quando jejuares, unta a tua cabeça e lava o rosto, para que não pareça aos homens que estás jejuando, mas ao teu Pai, que está em secreto; então o teu Pai, que olha em secreto, te recompensará.” (Mt 6:16-18)
Jesus fazia aqui alusão ao jejum insincero dos fariseus, que mencionou numa ilustração em outra oportunidade. (Lu 18:9-14)
Era costumeiro para os fariseus jejuar duas vezes por semana, no segundo e no quinto dia da semana. — Lu 18:12.
Abster-se alguém de alimento meramente de modo formal é descrito por Paulo como sujeitar-se a decretos: “Não manuseies, nem proves, nem toques”, e ele diz que “estas mesmas coisas, deveras, têm aparência de sabedoria numa forma de adoração imposta a si próprio e em humildade fingida, no tratamento severo do corpo; mas, não são de valor algum em combater a satisfação da carne”. — Col 2:20-23.
Algumas seitas religiosas da cristandade têm imposto jejuns aos seus membros, mas a própria Bíblia não ordena aos cristãos jejuar. Quando Jesus falou aos seus discípulos sobre o jejum, como acima mencionado (Mt 6:16-18), ele e seus discípulos ainda estavam sob a Lei mosaica, e observavam o Dia da Expiação e seu jejum.

O texto em Mateus 17:21, sobre o jejum, que aparece na versão Almeida, não consta em alguns dos mais importantes manuscritos antigos. Igualmente, embora a King James Version (Versão Rei Jaime) mencione um jejum em Marcos 9:29 (também, Al), em Atos 10:30 e 1 Coríntios 7:5, de acordo com esses manuscritos, tais textos não contêm nenhuma referência a jejuns.
Alguns têm considerado Mateus 9:15 como uma ordem para os cristãos jejuarem. Na realidade, Jesus estava simplesmente fazendo uma declaração do que iria acontecer quando ele morresse. Enquanto Jesus estava com seus discípulos na terra, não era apropriado que jejuassem. Quando ele morreu, deveras prantearam e jejuaram. Mas não tinham nenhum motivo para jejuar lamuriosamente depois da ressurreição dele, e especialmente não depois do maravilhoso derramamento do espírito santo. (Mr 2:18-20; Lu 5:33-35)
Por certo, os cristãos não estavam obrigados a jejuar no aniversário da morte do Senhor, pois o apóstolo Paulo, corrigindo abusos relacionados com tomar uma ceia no lugar de reunião da congregação antes da Refeição Noturna do Senhor, disse: “Não é que certamente tendes casas para comer e beber? . . . Conseqüentemente, meus irmãos, quando vos reunirdes para o comer [i.e., a Refeição Noturna do Senhor], esperai uns pelos outros. Se alguém tiver fome, coma em casa, para que não vos reunais para julgamento.” — 1Co 11:22, 33, 34.

Ao passo que não jejuavam como questão dum requisito religioso, os primitivos cristãos deveras jejuavam em ocasiões especiais. Quando Barnabé e Paulo foram enviados numa designação especial para a Ásia Menor, houve tanto jejuns como orações. Também, faziam-se orações “com jejuns” quando anciãos eram designados numa nova congregação. (At 13:2, 3; 14:23) Assim, os cristãos não estão sob uma ordem para jejuar, nem estão proibidos de fazê-lo. — Ro 14:5, 6.

NOTE QUE ATOS 27:9, TRATA-SE DO DIA DE EXPIAÇÃO ANUAL DOS JUDEUS E  É A ÚLTIMA REFERÊNCIA DE JEJUM NA BÍBLIA.

Por que os discípulos de Jesus não fazem jejum?

OS DISCÍPULOS DE JOÃO PERGUNTAM A JESUS SOBRE O JEJUM
João Batista foi preso algum tempo depois de Jesus celebrar a Páscoa de 30 EC. João queria que seus discípulos se tornassem seguidores de Jesus, mas já faz alguns meses que ele está na prisão, e nem todos fizeram isso.
À medida que a Páscoa de 31 EC se aproxima, alguns dos discípulos de João vão até Jesus e perguntam: “Por que nós e os fariseus praticamos o jejum, mas os seus discípulos não jejuam?” (Mateus 9:14) Os fariseus costumam jejuar como um ritual religioso. Mais tarde, Jesus conta uma ilustração sobre um fariseu orgulhoso que faz a seguinte oração: “Ó Deus, eu te agradeço que não sou como todos os outros . . . Jejuo duas vezes por semana.” (Lucas 18:11, 12)
Talvez os discípulos de João também tenham o costume de jejuar. Ou pode ser que façam jejum para lamentar a prisão de João. Eles se perguntam por que os discípulos de Jesus não fazem jejum, talvez se juntando a eles em lamentar o que aconteceu com João.
Jesus responde usando um exemplo: “Será que os amigos do noivo têm motivo para ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Mas virão dias em que o noivo será tirado deles, e então jejuarão.” — Mateus 9:15.
O próprio João se referiu a Jesus como sendo um noivo. (João 3:28, 29) Assim, enquanto Jesus está com eles, os discípulos não jejuam. Mais tarde, quando Jesus morrer, seus discípulos lamentarão e não terão vontade de comer. Porém, quando ele for ressuscitado, a mudança será grande, pois eles não terão mais motivo para jejuar por causa do pesar.

A seguir, Jesus conta duas ilustrações: “Ninguém costura um remendo de pano novo numa roupa velha, pois o remendo de pano novo repuxará a roupa, e o rasgão ficará pior. Também não se põe vinho novo em odres velhos. Caso se faça isso, os odres arrebentarão, o vinho se derramará e os odres ficarão arruinados. Mas põe-se vinho novo em odres novos.” (Mateus 9:16, 17) O que Jesus quer dizer com isso?
Ele quer ajudar os discípulos de João a entender que não devem esperar que os seguidores de Jesus se apeguem a antigas práticas do judaísmo como, por exemplo, jejuar como um ritual. Ele não veio remendar uma forma de adoração desgastada nem fazer com que ela seja praticada por mais tempo. Jesus não está incentivando uma forma de adoração que se adapte ao judaísmo da época e às tradições judaicas inventadas por homens. Ele não está tentando colocar um remendo em uma roupa velha ou vinho novo em um odre (um tipo de recipiente de pele) velho e endurecido.

ILUSTRAÇÕES SOBRE O JEJUM
Jesus usou uma ilustração que muitos podiam entender facilmente, a costura. O que acontece se alguém costura um pedaço de pano novo, que ainda não foi encolhido, numa roupa usada ou num pano velho? Quando a roupa é lavada, o remendo novo encolhe e repuxa o pano velho, rasgando-o.
Do mesmo modo, muitas vezes o vinho é guardado em recipientes feitos de pele de animais. Com o tempo, a pele endurece e perde a elasticidade. Colocar vinho novo num recipiente velho pode resultar na perda do vinho. O vinho novo pode continuar a fermentar, aumentando a pressão no recipiente. Isso pode estourar a pele velha e endurecida.


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